O cara dos meus sonhos!

Li uma crônica dia desses que descrevia o cara dos sonhos de alguém. Nela a autora certamente desabafava sobre os maiores erros e acertos dos homens que passaram por toda sua vida. Existindo ou não, no final do texto, consegui entender exatamente o que naquele momento ela (ou a personagem) procurava. Passei alguns minutos imaginando também como seria o cara dos meus sonhos. Senti um vazio chato por já não fazer ideia de como descrevê-lo com palavras. Então, o que era apenas um pensamento se tornou um desafio, e cá estou escrevendo sobre ele – seja lá onde estiver.

Acho que é isso. Não quero mais um amor. Quero alguém que me entenda até nas horas que eu já não consigo fazer isso sozinha. Não quero frases prontas, aliança e rosas vermelhas. Quero um abraço em silêncio e com falta de ar. Não quero ter que mostrar o caminho sozinha, quero aprender a não me importar tanto com a direção.

O cara dos meus sonhos sabe mais do que eu sobre a vida. É justamente isso que me faz querer estar sempre ao seu lado. Ele gosta dos pequenos e quase imperceptíveis detalhes.  Enxerga os meus, e enquanto brigo por coisas bobas do cotidiano, os repara em silêncio. E nesses momentos, ignora absolutamente tudo que digo. Depois me beija causando uma amnésia temporária – até eu entender que não vale a pena ter sempre razão.

Não me importo tanto com a cor dos seus olhos. Mas me derreto pela maneira com que eles me encaram quando acham que estou distraída. Também não me importa com a cor dos cabelos. Torço é para que ele não seja tão cuidadoso com eles – vou adorar bagunçá-los quando estiver com tédio. Ele não se preocupa tanto com o corpo. Não compra besteiras todo dia. Ama fotografia, livros e alguma outra coisa idiota que eu provavelmente odiarei  (e respeitarei) no futuro – talvez seja futebol, videogames ou sei lá, rock pesado.

Ele faz carinho no meu braço enquanto durmo. Ama viajar e ir ao cinema. Tem orgulho dos meus sonhos e faz questão de nunca se tornar um obstáculo. Ele não tem histórias mal-resolvidas com ninguém do passado. Já esteve dos dois lados – foi canalha e coitado. Viveu o que tinha pra viver, e no momento em que finalmente estiver ao meu lado, estará. Plenamente.

É nessa mistura de tempos verbais, que desabafo sua improvável existência. Ele não é príncipe, não é sapo e nem é meu. É do mundo. Por isso vou dormir e acordar, até chegar a hora certa de vê-lo (ou revê-lo). Quero estar pronta por dentro e por fora. Pra no meio dessas grandes multidões de todo dia, a gente se esbarrar, olhar pra trás ao mesmo tempo e pensar: É você.

Ei meu anjo! Eu te peguei no colo quando era pequena, eu dormi contigo quando você tinha medos bobos. Posso não estar do seu lado todos os dias, mas basta um telefonema de desespero que eu corro para te ajudar. Eu tento muito te entender, tento te ajudar e te explicar e apesar do gênio bravo que você tem eu vejo que muitas das vezes você me entende. Minha criança, minha pequena, minha quase irmã não tenha medo bebê! A vida assusta, as vezes é assim e dói, dói mesmo. Mas saiba que você tem tudo do que precisa a sua volta, você tem as pessoas que você precisa perto de ti. Entenda meu anjo! Você não esta sozinha! Estamos todos aqui! Eu estou aqui.
escondidadevc (via edv-diary)
Lembra como tudo começou? Lembra que, no início, era tudo inocente demais? Lembra-se de como a gente não tinha idéia das proporções que a nossa aproximação poderia causar, e nem sequer se importava com isso? Você se lembra de como nós gostávamos de ficar juntos? Da sensação de paz mútua, da saudade irracional que dava quando algumas horas nos separavam da próxima piadinha sem graça? Aliás, se lembra das piadinhas sem graça que sempre vieram revestidas de um carinho incomum e desproporcional? Se lembra de como a gente se machucou, justamente por se gostar demais? Eu lembro de tudo, de cada pequeno segundo, cada dolorosa e inesquecível memória. Lembro tanto que às vezes queria ser desprovida de memória – cada vez que eu olho para trás, me pergunto o que é que nós estamos fazendo agora, e mesmo que eu evite tentar ser abalada por sentimentos nostálgicos desse tipo, eu reprimo uma lágrima. Um aperto no coração. Nunca foi fácil, muito menos certo, mas era inegável, claro, óbvio: era de verdade. Por razões que desconhecemos, nos mantivemos ligados mesmo enquanto nos feríamos e assistíamos ao massacre de perto. Você, principalmente. Você me feriu. E eu não consegui fazer mais nada além de só preservar ainda mais o que sentia por você. Tentativas frustradas se arrastaram, planos que em qualquer lugar do mundo jamais dariam certo, mas que eram mais do que reais dentro do nosso abraço. Houve saudade, mesmo de perto. Houveram sentimentos reprimidos e mais ainda sentimentos gritados, vezes em que não conseguíamos admitir nem pra nós mesmos que, sim, nós nos amamos. Do nosso jeito masoquista e desencaixado, mas nos amamos. Você se lembra disso, não é? Que nos amamos mesmo que em grande parte do tempo tenhamos tudo para nos odiar. Ou nos amávamos, como pouquíssimos. Existiam ligações corpóreas que dificilmente se encontram em outras pessoas, existiam ligações da alma que não nos permitia caminhar livremente em busca de uma história menos complicada. Eu sempre amei profundamente você, e nada me tira da cabeça que sempre houveram indícios que você me amava também. Porque, é claro, você se lembra de como nossos olhares se engoliram e se delataram, não é? Foi a primeira vez, durante toda a minha vida, que alguém disse que me amava sem precisar dizer. Onde já se viu, um coração bater no mesmo ritmo de outro? E mesmo que você sempre tenha escolhido outros caminhos, você voltava para mim. Todas as vezes, voltava para mim, como quem estava voltando para a casa. E as despedidas foram muitas, praticamente todos os capítulos sendo protagonizados por alguma delas. Despedidas sem adeus. E chegadas sem permissão. Você me atropela, me rasga, me mata. E eu te salvo, uma vez que quando você volta é porque precisa ser salvo, e eu ainda sou o resquício de salvação que você tem. Um pouco de amor sincero que você encontra, quando as portas de bares não te satisfazem mais. E agora, me pergunto se você se lembra do começo com certa saudade ou vontade de ficar. Quase pareço uma menininha apoiada sobre a ponta dos pés te olhando com curiosidade, querendo ouvir a sua resposta, ansiosa por ela… A gente nunca aceita o fim do que não deveria ter fim. Porque, da mesma forma que eu soube que seria você o causador das minhas insônias e dos meus maiores sonhos quando te olhei pela primeira vez, eu sei que você não se esvair de mim. E sei que não quero me esvair de você.
Larissa Paschoin  (via delator)

(Fonte: nopaisdasmaravilhas)

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